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Livro - A Menina da Coluna Torta, por Julia Barroso
Livro - A Mulher da Coluna Torta, por Julia Barroso
  • Foto do escritorJulia Barroso

Escoliose idiopática ou congênita?

Atualizado: 14 de fev.

Hoje a história que eu tenho para compartilhar com vocês é muito inspiradora e de grande persistência! Não vou escrever muito para não dar spoiler, porque tenho certeza de que vocês vão se encantar com o relato da Karoline sobre sua vida com a coluna torta. Mas será que estamos falando de escoliose idiopática ou congênita?


Bora descobrir!


“Meu nome é Karoline Santos da Silva, nascida em 08 de maio de 1996, filha da Claudia Santos da Silva, criada pela minha avó Maria Conceição dos Santos e sem pai. Minha escoliose foi descoberta quando eu tinha 12 anos de idade, quando minha mãe e eu estávamos na casa do patrão dela na época, que era médico, e percebeu uma protuberância na minha coluna quando abaixei para pegar um objeto. Depois de uma breve avaliação, ele nos orientou a passar no consultório dele no dia seguinte, pois achava que eu tinha escoliose. Fizemos como ele pediu e depois de me avaliar novamente, me encaminhou para um médico do SUS, que confirmou uma escoliose idiopática (sem causa definida).


Os anos foram se passando e eu me consultei com 10 ortopedistas do SUS, que me informaram que minha escoliose era mesmo a idiopática e não cirúrgica. Aos 16 anos comecei a usar o meu primeiro colete ortopédico todo moldado para mim. Aos 17 usei o segundo colete. Porém, não víamos nenhuma melhora das curvas, somente uma piora da escoliose. Com 18 anos concluímos que o colete não estava fazendo efeito e como eu já trabalhava na época, comecei a pagar consultas médicas particulares. Um dos médicos que fui em Sergipe, para quem levei os exames de imagem já feitos, me avaliou e também disse que minha escoliose era idiopática, ressaltando que meu caso continuava não sendo cirúrgico. Naquele momento, minhas curvas estavam em 89 graus na lombar e 79 na torácica.


escoliose idiopática ou congênita
Karol quando estava descobrindo a escoliose

escoliose idiopática ou congênita
Coletes usados pela Karol

Com 19 anos desisti de todos os médicos, sem acreditar mais em nenhuma opinião. Então, entrei na área da saúde, comecei a estudar para ser Técnica de Enfermagem e iniciei uma busca mais profunda sobre a escoliose, como suas causas, desenvolvimento e impactos, para entender o que estava acontecendo comigo. Finalmente entendi o que eu tinha e me desmotivei ainda mais. Foi então que decidi cursar o ensino superior em Enfermagem, onde conheci muitos estudantes de medicina e pude trocar informações e tirar dúvidas sobre essa condição. Com isso, minha motivação voltou e eu pedi a Deus para colocar na minha vida um médico que conseguisse ver os meus exames e me dizer que o meu caso tem solução. Eu já estava muito torta, as roupas não eram mais confortáveis e eu estava tão corcunda, que não prendia mais o cabelo para assim me esconder da sociedade por conta dos preconceitos que eu sofria. Mesmo com tudo isso, resolvi quebrar a barreira e pensar que eu tinha que me aceitar, que os outros precisavam me aceitar. Comecei, então, a buscar alguns médicos ortopedistas no Instagram e o Dr. Vinicius Benites me respondeu em 3 minutos, depois que enviei todos os meus exames. Mesmo sem me ver pessoalmente, ele me disse algo que contradizia tudo que eu já tinha ouvido até aquela época: minha escoliose era congênita (quando nascemos com ela) e que o meu caso era cirúrgico.


Coloquei no meu coração que queria operar com o Dr. Vinicius por todo o trabalho que eu acompanhava pelas redes sociais, mas como ele opera de forma particular, eu não tinha condições financeiras de fazer a cirurgia com ele, naquela hora. Diante disso, fui orientada a fazer o plano de saúde UNIMED nacional e esperar dois anos de carência para assim pagar apenas os honorários médicos. Me dediquei e me apertei muito financeiramente para poder juntar o dinheiro dos médicos e pagar o plano de saúde. Por ser de uma família muito humilde, não tinha nenhum suporte familiar e não porque eles não quisessem, mas sim, porque não era possível. Sozinha mesmo e, com toda garra do mundo, juntei meu dinheiro para pagar o plano e os médicos e depois de dois anos da carência, veio a tão sonhada cirurgia com o Dr. Vinicius. Sabíamos que era uma operação de grande porte e complexa, mas eu tinha certeza de que era para ele que eu queria entregar a minha coluna. Viajei para São Paulo sozinha com dinheiro contado para a passagem, medicamentos e tratamento e, dia 02 de dezembro de 2022, finalmente, operei a minha escoliose.


No Hospital Ortopédico da AACD, eu tive todo o suporte necessário da equipe técnica. Meu agradecimento especial para o Joaquim, que vai ficar na minha memória a vida toda. Na hora de ir para o Centro Cirúrgico, fui feliz, fui em paz, porque eu tinha certeza de que era aquilo que eu queria e que Deus tinha preparado para mim. Sempre tive muita fé e fui convicta de que ia dar tudo certo. Já deitada na maca para passar para a mesa operatória, o Dr. Vinicius entrou na sala e eu me lembro das minhas últimas palavras para ele: - me deixe saudável, devolva a minha saúde, por favor. Me deixe linda!


Depois de mais de 12 horas de cirurgia (começou às 06:20 da manhã e acabou às 20:30 da noite), acordei muito feliz, apesar da dor e dos incômodos. O pior dia de dor foi o segundo, mas eu sempre pensava que ia passar, porque eu sou forte e também porque Deus estava comigo, me amparando. Para ajudar eu também fazia vídeo chamada com minha família, amigas, namorado e colegas de trabalho. Além disso, meu médico nunca me abandonou. Ele e sua equipe me visitaram todos os oito dias que fiquei internada na AACD. Depois disso, fiquei em São Paulo me recuperando mais alguns dias e dia 20 de dezembro voltei para Aracajú, retornando ao trabalho em meados de janeiro, extremamente satisfeita com a minha cirurgia.


escoliose idiopática ou congênita
Karol depois da cirurgia

Hoje me sinto mais feliz, grata e com muita vontade de viver! Passaria por tudo novamente, pois para mim foi lindo, foi mágico, foi um filme. Eu só tenho mesmo a agradecer, hoje, depois de um pouco mais de um ano de operada, com 27 anos e 22 parafusos na coluna. Nunca foi fácil, mas eu nunca desisti. Importante ressaltar que minha avó sempre me apoiou e nunca soltou as minhas mãos.”



Gostou do depoimento da Karol? Então compartilhe esse post para inspirar outras pessoas na luta a favor da conscientização da escoliose!


Quer descobrir mais histórias de vida inspiradoras? Confira todos os depoimentos que publicamos aqui no nosso blog.

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